

Inonsense
Escrevo na certeza
que do outro lado há sempre alguém que entenda... alguém que sinta e pressinta o inusitado de ser poeta neste tempo tão materialista, neste caos de concreto e fumaça, neste fim de mundo sem graça, que assistimos quase que anestesiados. Resta me a ironia, a rima incidental e o despropósito de meu grau incurável de lucidez! Assim me finjo de louco e disfarço um pouco minha estúpida franqueza... minha tão absoluta certeza "de que uma grande mudança em breve vai acontecer e que precisamos todos rejuvenescer..." Sem ideal, resta apenas o reles capital, a manchete repetida do jornal descrevendo as visões de Dante, o inferno contagiante que nos faz reféns do medo! Por isso, escrevo mais este poema sobre o mesmo tema, dizendo novamente que enlouqueci. Que doravante criarei ao derredor o reverso desta "civilização" versos de uma exclusiva revolução... operada tão somente dentro de mim!
Bernardo Maciel
Enviado por Bernardo Maciel em 04/09/2017
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