

Profecias (Homenagem a Belchior)
Ouço músicas que não envelhecem,
que me falam de promessas não cumpridas... que cantam paisagens sugeridas de um mundo novo que adivinhamos. Escrevo versos remanescentes daquele tempo idealista em que a juventude altruísta afrontava tudo com tinta, flores e papel! Aqui bate um coração inconformado que sente o peso da desolação, neste mundo de concreto e ilusão onde a vida não tem valor. "O que é que pode fazer um homem comum neste presente instante, senão sangrar, tentar inaugurar a vida comovida... inteiramente livre e triunfante!" Canta, canta profeta Belchior, que uma nova mudança em breve vai acontecer e precisamos todos rejuvenescer... retomar o velho ideal! Mas o tempo se esvaiu na gigantesca ampulheta, gira angustiado o planeta carregando pesado fardo de iniqüidades. Após milênios de advertências não ouvidas, de insistentes profecias repetidas... ruirão nossas frágeis ilusões. Desaparecerão nossas evanescentes miragens... em tempestades, terremotos e furacões, saneando e modificando as paisagens! Então e somente então, os ouvidos moucos ouvirão, versos novos e antigos anunciando a primavera, nossos mais caros anseios traduzidos... inaugurando a nova era!
Bernardo Maciel
Enviado por Bernardo Maciel em 06/05/2017
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