

CONFISSÂO
Amanheci disposto a me confessar,
disposto a poetizar versos que me revelem por inteiro... Direi primeiro o que primeiro me vier e se puder definirei em síntese sucinta, tudo que a alma pressinta ser a essência, a sutileza! Que se torne certeza o sussurro da voz interior, vestindo em forma e cor, as impressões mais íntimas as alterações mínimas, que materializam os pensamentos impulsionados pelo vento impetuoso da inspiração! E que leve de roldão, a hipocrisia oficial que insiste em ditar as normas do que é normal! Sou alma envelhecida, enojada da estrutura carcomida da sociedade atual! Sou alma estranha que provoca a sanha dos manipuladores da opinião! Sou artífice da poesia e escrevo heresias de difícil digestão. Mas como posso me omitir, deixar de divergir da mídia oficial? É dever de quem pensa, afrontar o monopólio da comunicação, o lixo da TV onde o que se vê não merece atenção! Amanheci disposto a me confessar e não posso me calar frente a crítica duvidosa desta gente inescrupulosa, que banaliza o bom senso, com o seu pretenso padrão global. Que se mude o padrão, da fábrica de ilusão que corrompe e manipula a multidão esfomeada de cenas fortes e picantes, violentas e anestesiantes. Consumidores da pornografia, assinantes da idiotia, telespectadores do banal, ouvintes do lixo musical, me confesso avesso a este mal gosto, que mantêm os índices de audiência, da anarquia, da complacência! Falta de cultura, de decência, de inteligência, exibir em horário nobre, o cardápio pobre que sacia a multidão! Melhor desligar o rádio e a televisão, melhor mesmo me confessar em outra ocasião!!!
Bernardo Maciel
Enviado por Bernardo Maciel em 05/09/2013
Alterado em 28/02/2025 Comentários
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