Bernardo de Paula Maciel

Atrevimento

Textos

CONFISSÂO
   Amanheci disposto a me confessar,
   disposto a poetizar
   versos que me revelem
   por inteiro...
   Direi primeiro
   o que primeiro me vier
   e se puder
   definirei em síntese sucinta,
   tudo que a alma pressinta
   ser a essência, a sutileza!
   Que se torne certeza
   o sussurro da voz interior,
   vestindo em forma e cor,
   as impressões mais íntimas
   as alterações mínimas,
   que materializam os pensamentos
   impulsionados pelo vento
   impetuoso da inspiração!
   E que leve de roldão,
   a hipocrisia oficial
   que insiste em ditar
   as normas do que é normal!
   Sou alma envelhecida,
   enojada da estrutura carcomida
   da sociedade atual!
   Sou alma estranha
   que provoca a sanha
   dos manipuladores da opinião!
   Sou artífice da poesia
   e escrevo heresias
   de difícil digestão.
   Mas como posso me omitir,
   deixar de divergir
   da mídia oficial?
   É dever de quem pensa,
   afrontar o monopólio da comunicação,
   o lixo da TV
   onde o que se vê
   não merece atenção!
   Amanheci disposto a me confessar
   e não posso me calar
   frente a crítica duvidosa
   desta gente inescrupulosa,
   que banaliza o bom senso,
   com o seu pretenso
   padrão global.
   Que se mude o padrão,
   da fábrica de ilusão
   que corrompe e manipula
   a multidão esfomeada
   de cenas fortes e picantes,
   violentas e anestesiantes.
   Consumidores da pornografia,
   assinantes da idiotia,
   telespectadores do banal,
   ouvintes do lixo musical,
   me confesso avesso a este mal gosto,
   que mantêm os índices de audiência,
   da anarquia, da complacência!
   Falta de cultura,
   de decência, de inteligência,
   exibir em horário nobre,
   o cardápio pobre
   que sacia a multidão!
   Melhor desligar o rádio e a televisão,
   melhor mesmo me confessar
   em outra ocasião!!!
Bernardo Maciel
Enviado por Bernardo Maciel em 05/09/2013
Alterado em 28/02/2025


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