

MARGINAIS
Sala vazia,
apenas as velhas cadeiras empoeirando... imóveis em linha. Aguardando... a chegada do tumulto. Repousa, ainda, o túmulo da dúvida! Do fundo observo o universo negro à minha frente, mostrando meus erros diariamente! Roubando-me a infância, encurtando a distância, entre o fundo da sala e o saber da lousa. Permanece imóvel a ignorância do primeiro dia em que estive aqui. Foi-se embora o meu quintal! Com ele a sensação de que o mundo acabava após o muro. Hoje esta sala é a luz dos novos dias, a luz que me orienta. Ensinam quase tudo e só aprendemos o que queremos para construir o caminho, escrever as poesias, contar novas estórias, multiplicar as alegrias! Compor devagar a memória, colorir o futuro com cores diferentes, completar o caderno com a inteligência transparente, que só possui quem sabe ler a própria biografia sem um livro na mão! E nesse espaço sem fronteira, que me separa do quadro-nunca-negro, coube bem mais que uma geração. Foi cenário de horas intermináveis, das brincadeiras impagáveis e dos olhares mais sinceros que cruzaram os meus. E se ao final do ano, o boletim rolava pela face como lágrima, obrigando-me a fazer outra poesia, no mesmo tema, na mesma rima... Servia de consolo a menina sorridente, meu amor repetente... que como eu aqui permanecia, no fundo da sala, à margem da vida!
Bernardo Maciel
Enviado por Bernardo Maciel em 04/02/2013
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